quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Você está sabotando seu relacionamento?



(*) Kátia Horpaczky

Sabotar implica ir contra algo, e o pior, contra si mesma. É Auto sabotagem, isso significa que terá que administrar as situações difíceis que você mesma produziu. Essa situação acontecem quando não se aguenta manter um vínculo que tenha equilíbrio e satisfação, principalmente se nunca teve algo significativo e valoroso antes.

È visível nos dias de hoje, a superficialidade com a qual nos vinculamos ao "outro".    Não se cria laços profundos e acaba-se por não viver experiências afetivas de qualidade, seja com filhos, pais, cônjuge, namorados, amigos.
Algumas pessoas com autoestima baixa tendem a não acreditar que possam se relacionar de forma satisfatória quando estão com alguém interessante e ainda possam ter seu valor reconhecido, tanto para o seu próprio parâmetro, como perante os outros (familiares e amigos).

Parecem duvidar de que sejam capazes de despertar o interesse de alguém tão especial, como se não fossem merecedoras de algo bom. Utilizam o recurso do boicote, que acontece por meio de suas próprias ações, para produzir efeitos negativos, que tendem não só dificultar como trabalhar para o seu rompimento.

"Ah! Eu não dou sorte no amor, não adianta... " É o que eu mais ouço no consultório. Muito do que acreditamos sobre nós mesmos, os outros e sobre o amor, vem de nossas primeiras experiências, das nossas crenças familiares e formam um “mapa mental” que nos governa por toda vida. Quando examinamos e reavaliamos essas crenças, teremos condições de mudar esse mapa mental – de reescrever nosso roteiro de vida.


 Você está sabotando o seu amor quando:
  • Cria obstáculos para o entendimento.
  • Imagina o que não aconteceu, como quem está procurando algo...
  • É volúvel.
  • Testa a paciência do companheiro.
  • Deseja ter limites, pois, com o ato de boicotar, você sempre acaba na pior e se vê justificando depois a posição que está acostumada a ter: de ser sozinha, de manter a fama de briguenta, de manter o alto nível de ciúmes, de fantasiar que será trocada por outra etc.
  • Mantém uma posição padrão no relacionamento, ou seja: que se repete.
  • Você é do tipo que gosta de explosões, um modo de rebaixar a qualidade do vínculo. E de obter de forma equivocada e distorcida uma espécie de resposta quanto ao interesse do outro manter o relacionamento. É um tipo de teste com a finalidade de se sentir querida e em evidência.
  • Forja situações, criando dificuldades com o parceiro.
  • Nutre o fracasso no relacionamento.

O conflito não é necessariamente um sinal de que algo está errado, a maneira em que as diferenças são resolvidas (ou não) é uma medida mais precisa de estabilidade.

Ao verificar as frequentes queixas do seu parceiro, comece a refletir sobre exageros e situações em que poderia ter lidado de outra forma. Em relacionamentos saudáveis, as pessoas são flexíveis diante das circunstâncias, sem um comportamento rígido e fixo.

Pense nisso! E comece a escrever uma historia de amor com final feliz!

(*) Kátia Horpaczky
Psicóloga Clinica, Psicoterapeuta Sexual, Família e Casal.
Tel: 11-5573-6979


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Psicoterapia para Casais

(*) Katia Horpaczky

É um mito o pensamento de que um casal poderá superar seus conflitos sem intervenção de alguém; e é trágico quando negam sistematicamente qualquer tipo de ajuda. Muitas vezes, o casal teme a terapia achando que acontecerá uma "lavagem de roupa suja". A terapia não só pode conduzir a uma mudança de conduta, mas também levar à uma nova fase de redescoberta do prazer de estar com o outro; é o teste quase que definitivo sobre a indecisão ou certeza dos sentimentos perante o parceiro, sejam positivos ou negativos.No final é a consciência do que ambos podem ou não conseguir dividir. Apenas deve se ter cautela para que a terapia não seja a desculpa para acabar com o casamento; já que talvez um dos dois parceiros tenha essa certeza e não queira carregar o ônus da ação, transferindo para o terapeuta a responsabilidade.

Após o casamento é muito comum ouvir os casais reclamarem por não serem compreendidos. Geralmente o que se escuta é: Ele não me entende. Ela não me entende. O que pode estar havendo nesses casos é uma falta de comunicação, ou uma comunicação incorreta, que acaba gerando idéias e pensamentos que não condizem com a realidade.

O mais indicado é uma comunicação clara. Cada um deve expor o que esta sentindo, se esta com raiva, medo, insegurança, nervosismo, ansiedade, em fim, buscar demonstrar o que realmente esta passando em seu interior. Aqui a Psicoterapia estaria sendo utilizada para que ambas as partes pudessem aprender sobre seus sentimentos e formas para expressá-los.  

Em outros casos, pode parecer que o casamento esfriou. Quando recém casados, ainda mantinham um tempo para os dois, mesmo depois de longas horas de trabalho cansativo. E agora, somente se encontram para dormir e recarregar as energias para o dia seguinte. Alguns casais não compreendendo o que esta havendo partem para a agressão física ou verbal, obtendo mais sofrimento do que uma vida a dois prazerosa e feliz.
Partindo do principio de que tudo é aprendido, o processo de Psicoterapia vem exatamente criar novas possibilidades. Ressignificando o passado e oferecendo ao casal novos pensamentos, ampliando a visão de si próprio, assim como o contato e convívio com outros.

Buscando entender o que esta havendo com cada um dos dois, como estão se sentindo, o que acham que precisa mudar e como se vêem na relação,  a Psicoterapia procura respostas e clareia o caminho para um entendimento de si próprio e do outro. 

(*) Katia Horpaczky
Psicóloga Clinica, Psicoterapeuta Sexual, Família e Casal.
Contatos: katia@rodadavida.com.br
(11) 5573-6979


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

WhatsApp e o Relacionamento

                                    

(*) Katia Horpaczky

O que deveria facilitar a comunicação pode estar atrapalhando os relacionamentos amorosos - um aplicativo tão simples, mas perigoso para as relações... Você controla as atividades de seu parceiro via WhatsApp? Vocês discutem assuntos sérios e importantes via WhatsApp? Vocês já brigaram por causa do WhatsApp?

Se você respondeu "sim" a uma dessas perguntas, esse artigo é pra você! Fazer ligações é uma arte que está morrendo. Seu relacionamento pode acontecer, na maioria das vezes, via WhatsApp e decisões importantes podem ser tomadas através dele. O que temos como consequência é falha de comunicação, muito desentendimento e desconfiança. Milhares de pessoas sofrem com a síndrome do controle no WhatsApp e isso pode fazer com que casais estejam rompendo seus relacionamentos.

O WhatsApp é um dos aplicativos mais baixados do momento, com cerca de 300 milhões de usuários no mundo. Você pode imaginar o estrago que está causando também! O grande problema, segundo os especialistas, é o controle de que a mensagem foi vista e o horário da última visualização. O problema é que passamos a impressão de que sempre estamos grudados no celular. E não estamos, ninguém está: as pessoas vão ao banheiro, tomam banho, trabalham, estão em reuniões, dirigem, entre tantas outras atividades. Ainda que a conexão esteja funcionando e as mensagens cheguem, isso não quer dizer que a pessoa do outro lado tenha lido ou possa responder à mensagem imediatamente. Apesar de saber tudo isso, continuamos enlouquecendo com as mensagens não respondidas e com os horários das visualizações (o que ele estava fazendo no WhatsApp às 3 da manhã? Falando com quem?). Isso produz ansiedade. Muita ansiedade! Como lidar com essa síndrome da conexão 24 horas por dia? Alguém tem alguma dica?

Primeiro: vamos administrar essa ansiedade, controlando as vezes que olhamos o WhatsApp e a quantidade de mensagens enviadas. É uma falsa sensação de controle. Segundo: tenha foco no que você tem pra fazer, no que você está fazendo - foco no trabalho (cuidado com o excesso de WhatsApp no ambiente de trabalho), nos estudos, nas atividades diárias, nas relações com as outras pessoas. Terceiro: é importante que os dois entendam que respeitar a privacidade do outro é fundamental e saudável. Aconselho a conversarem mais pessoalmente e evitarem usar o aplicativo quando estiverem perto. O contato físico, o contato olho no olho, fortalece a relação. Tem casal que adquiriu o habito de fazer DR (discutir a relação) pelo WhatsApp e nos momentos mais inoportunos.
Mensagens do tipo “bom dia, bom trabalho”, “estou com saudades” são válidas. Quebra um pouco a rotina estressante, isso é bom, o que não vale é exagerar e atrapalhar. Faça uma autocrítica: você está exagerando? Então está na hora de mudar!

(*) Psicologa clinica, terapeuta sexual, casal e família
11 – 5573-6979
Set/2014

Depoimentos:

S.S, 19 anos, secretária, namorando há 3 anos “Já brigamos diversas vezes por causa do WhatsApp e outros meios de comunicação. Infelizmente, na maioria das vezes, tratamos coisas importantes ou, quando brigamos, resolvemos tudo pelo famoso aplicativo. Por mais que temos confiança um no outro, acaba se tornando um controle. Dificilmente fazemos ligações. Levo o celular pra qualquer lugar, seja pra almoçar, jantar, tomar banho e, quando estou dormindo ou cochilando, acordo pra responder. Não consigo ficar 24 horas sem acessar o WhatsApp."

S.N.G, 33 anos, administradora, casada há mais de 10 anos, 2 filhas. O WatsApp é uma faca de dois gumes. Por um lado é muito bom, você consegue falar quase que instantaneamente com as pessoas, as vezes você não tem coragem de falar algo olhando nos olhos das pessoas por timidez ou qualquer outro motivo, você tem a oportunidade de mandar um “oi “ rapidamente só para as pessoas saberem  que estamos pensando nela. Mas por outro lado é muito perigoso. Eu não tenho o costume de controlar o WatsApp do meu marido e acho que ele também não tem o costume de controlar o meu, nunca conversamos sobre isso. Mas já brigamos por causa do WatsApp, por deixarmos de dar atenção um ao outro para ficarmos com amigos no WatsApp. Também já discutimos assuntos sérios pelo WatsApp, não chegamos a nenhum acordo, o acordo só aconteceu pessoalmente.  Temos que tomar cuidado e saber usar somente o lado bom ou pode virar um vício e prejudicar não somente os relacionamentos como as outras áreas da vida.

A.Z, 39 anos, relações públicas, solteira "Mais do que atrapalhar, acho que o WhatsApp ajuda muito na comunicação do casal (desde que se faça bom uso da tecnologia). Não estou namorando, mas o aplicativo aproxima e tem me ajudado a estreitar laços na paquera. Tudo tem que ser usado com moderação, senão o feitiço vira contra o feiticeiro. Às vezes, acho libertador esquecer o celular de lado para ver um filme ou deixá-lo em modo avião para não interromper minha noite de sono. Há muita vida acontecendo longe do WhatsApp. Acho também que as pessoas estão cada vez mais imediatistas. Antigamente, a gente tinha que escrever cartas, colocar no correio, esperar dias até ela chegar, ser lida e respondida. Os tempos mudaram para melhor, mas precisamos ocupar nossa vida com outros interesses e deixar tudo acontecer naturalmente, sem tanta pressa. Assim, a tecnologia estará a nosso favor em vez de virar vilã."


terça-feira, 9 de setembro de 2014

18 verdades cruéis sobre os relacionamentos de hoje em dia!

1. A pessoa que se importa menos tem mais poder. Ninguém quer ser a pessoa mais interessada do relacionamento.
2. Só porque a gente quer mostrar quão blasé ou não-tão-interessados nós estamos na outra pessoa, pequenos jogos psicológicos como “Levar Intencionalmente Horas ou Dias Pra Responder Mensagens de Volta” podem acontecer. E eles não são nada divertidos.
3. Alguém que não se preocupa em estar sempre por perto porque não tem realmente nenhum interesse em você se parece exatamente com alguém que não se preocupa em estar sempre por perto porque te acha fantástico e quer parecer menos grudento. Boa sorte em descobrir com qual dos dois tipos você está lidando.
4. Fazer ligações é uma arte que está morrendo. Seu relacionamento pode acontecer, na maioria das vezes via whatsapp ou SMS, ou seja, meios de comunicação mais impessoais de interação. Se acostume com isso.
5. Combinar algo certo é complicado. As pessoas têm opções e convites expressos dos seus amigos (ou de outros interesses românticos) muito mais rápido graças às redes sociais. Se você não for a maior prioridade da pessoa, seus convites podem receber uma série de “vamos ver” ou “vou tentar”, além dos cancelamentos em cima da hora.
6. Alguém que machucou você não vai ter necessariamente o retorno que merece. Pelo menos não imediatamente. Eu sei que não é justo, mas às vezes as pessoas que traem e que são idiotas conseguem ir pra outras relações onde tudo corre bem enquanto a gente fica na merda.
7. Suas atitudes podem parecer românticas ou assustadoras. Isso depende do quanto a outra pessoa te acha atraente.
8. “Vamos nos ver” ou “quer sair?” são frases vagas que geralmente significam uma coisa: “quero fazer sexo com você”. Mesmo que você odeie essas frases, elas são o modo normal que as pessoas encontram de convidar as outras pra sair e passar um tempo juntas.
9. Algumas pessoas só querem transar e se você está interessado nelas para além do sexo, elas não vão te dizer que eles não são a pessoa certa pra você agora. Pelo menos, não até terem levado você pra cama. Enquanto a decência humana é uma benção, a honestidade nem sempre é obrigatória.
10. A mensagem que você mandou chegou. Se eles não responderam, não foi por causa de algum telefone defeituoso ou problema com a operadora.
11. Existe muita gente que tem medo de compromisso. Eles vão sempre se manter em relacionamentos abertos que são confusos e só funcionam até que eles se acabem. Se você se incomoda em deixar o outro fazer o que bem entender, bem, talvez esse tipo de relacionamento não seja pra você. Afinal de contas, vocês “não têm nada”.
12. Redes sociais criaram novas tentações e métodos de traição. As mensagens privadas e novos artifícios para flertar (tipo curtir as fotos do Facebook) não chegam a ser incentivos, mas facilitam ainda mais que isso aconteça.
13. As redes sociais podem também criar a ilusão de que uma pessoa tem mais opções, o que faz com que as pessoas olhem pro Facebook como um grande menu de gente atraente com as quais elas podem se relacionar um dia.
14. Você não deve conhecer bem alguém antes de entrar num relacionamento com a pessoa. Geralmente, as pessoas têm medo de se deixarem ser vistas ou de demonstrar sentimentos por medo de parecerem muito disponíveis, ou ansiosas, ou assustadoras por pura insegurança.
15. Qualquer pessoa com quem você se relacione pode ser alguém com quem você vai passar o resto da sua vida ou pode ser alguém que vai terminar com você e dilacerar o seu coração amanhã. Ambas as prerrogativas são assustadoras.
16. Num relacionamento (ou na fase de conhecer você), ao invés de te dizer o que sente, é mais provável que a pessoa vá postar algo no Facebook ou no Twitter e, mesmo que não mencione seu nome, é uma daquelas indiretas certeiras pra você.
17. Existe um bando de gente que vai ter zero de respeito pelo seu relacionamento e se eles quiserem a pessoa que está com você, eles não terão pudores. Nessas horas o Bro Code e o Girls Code vão pro lixo e é melhor você manter um olho aberto em “inofensivos comentários online”. Só não vire um psicopata neurótico com isso também.
18. Se você levar um fora, isso pode ser bem mais brutal. As pessoas podem querer terminar de modos mais práticos – por texto ou whatsapp – e não vão se dar o trabalho de ligar ou conversar pessoalmente porque é desconfortável. Basta mandar umas duas frases e voilá, relacionamento acabou.
Adaptado do Thought Catalog.


sábado, 6 de setembro de 2014

Quando o assunto é sexo — cujo dia é comemorado hoje, na sugestiva data de 6/9 —, todo homem se gaba como um especialista em satisfazer a mulherada. Contudo, um novo estudo realizado na França mostrou que eles ainda têm muito a aprender. Até mesmo o básico, como apontar corretamente onde fica o clitóris, pode ser uma tarefa complicada para parte da ala masculina, indicou o levantamento feito pela empresa Soft Paris.
Mais da metade das mulheres acredita que os homens falam mais do que fazem quando o que está em questão é dar prazer. Para o ginecologista e sexólogo Amaury Mendes Júnior, o problema se deve à cultura machista confrontada com novos padrões de exigência femininos.

— O desconhecimento dos homens em relação à sexualidade feminina vem da criação deles. Até duas gerações atrás, as mulheres eram completamente submissas. Hoje, ambos estão nas mesmas condições, e elas passaram a exigir o prazer no sexo. Acontece que muitos homens não têm habilidade para lidar com essa mulher moderna — analisa.
Segundo o médico, o medo de perder a ereção faz com que os homens apressem a relação e não se interessem em explorar o corpo da parceira para descobrir, por exemplo, que os seios são zonas extremamente sensíveis. Ter paciência para aprender é fundamental para que a experiência sexual seja mais prazerosa para ambos, defende o especialista.

— A mulher precisa sentir que o homem está ao lado dela tentando curtir e agradar, e não desempenhando um papel — diz Mendes Júnior.

Saiba mais

Elimine a tensão: para aprender mais sobre o prazer feminino, o homem deve tirar o foco da ereção. Que tal fazer uma massagem na companheira?
Treine a intimidade: dar a mão para a parceira e pedir para ela mostrar como gosta de ser tocada é um bom começo para aumentar a afinidade entre o casal.

Não tenha pressa: perguntar se a mulher já teve um orgasmo é algo que nunca deve ser feito. “O principal é curtir o momento”, ensina Amaury Mendes Junior.
Dispense medicamentos: explorar o corpo da parceira é mais válido do que remédios para conseguir uma ereção.
Estude anatomia: livros são grandes aliados que ajudam a entender melhor a anatomia feminina. Conhecimento é tudo.


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

PAI GAY


(*) Kátia Horpaczky

Podemos começar com a compreensão de que o homem é um ser construído histórico e, socialmente, é importante salientar que a atual crise masculina é resultado de várias transformações históricas.  Ao observarmos a sexualidade humana, principalmente a masculina, percebemos que a masculinidade é concebida a partir da capacidade produtiva, pela qual o homem responde como provedor material e financeiro.

Entre várias formas de demonstração de poder, destacamos a conquista do status social conquistado pela profissão que o homem desempenha e pela condição financeira que alcança. Outro fator é a constituição de uma família que, apesar de não ser mais tão caracterizada pelo tradicional “pai e mãe unidos pelos laços do matrimônio até que a morte os separe”, ainda se forma pela presença de um pai provedor financeiramente.

O homem sofre forte cobrança. Existe a expectativa de que ele jamais fuja às normas e regras ditadas pela sociedade. Essa pressão leva muitos homens a camuflarem sua verdadeira orientação sexual. Eles sufocam e reprimem até que fique esquecido seu verdadeiro desejo.

Um aspecto muito importante para o fortalecimento da identidade masculina está a posição heterossexual, onde segundo Badinter o padrão de “normalidade” estabelece que "a identidade masculina está associada ao fato de possuir, tomar, penetrar, dominar e se afirmar, se necessário pela força" (Badinter, 1993). A homossexualidade, entendida enquanto dominação do homem pelo próprio homem, se constitui em um modelo fora do padrão.

Um novo modelo


Nesse cenário de conflito masculino e conquistas femininas, muitas instituições estão sendo transformadas, principalmente a família. Ao desviar do modelo tradicional ela assume um modelo chamado moderno em que "a família hierárquica com papéis bem definidos quanto a gênero e geração" é substituída.

O novo modelo oferece "uma família igualitária, onde os papéis e atribuições de gênero e geração estariam com seus contornos cada vez mais diluídos" (Vaitsman, 1994). É nesse mesmo momento que se percebe o aumento do número de pais separados e mães solteiras e a presença de casais homossexuais que, ao desenvolverem suas atividades profissionais, assumem a responsabilidade de criar filhos fora do padrão tradicional.

A família gay é um modelo que atualmente ganha maior visibilidade. O espaço aberto pelas novas formas de constituição familiar, as várias opções de produção independente, bem como a alternativa de adoção por parte de pessoas solteiras possibilita que homens e mulheres homossexuais assumam a maternidade e a paternidade conforme seus ideais.

Essa “nova família” acentuou a polêmica sobre os princípios morais que serão usados para educar uma criança dentro dessa relação. Como ela irá compreender sua família constituída por dois homens ou duas mulheres, quando a tradicional é representada por um homem e uma mulher? As respostas estão surgindo a partir de experiências bem sucedidas. Casais gays educam suas crianças e proporcionam a elas um ambiente tão saudável, ou melhor, do que os oferecidos por vários casais heterossexuais.

Homossexuais e os filhos


Quanto aos aspectos teóricos que fundamentam esta problemática, observam-se discussões, como por exemplo, a do psicanalista Acyr Maia, autor do livro Psicologia e Homossexualidade. Nele, o autor afirma que nada impede que casais homossexuais eduquem com sucesso uma criança, pois "de acordo com a psicanálise, a função materna e paterna são exercidas pela linguagem. (...) Mas qualquer pessoa, independente do sexo biológico pode suprir essa carência" (Maia apud Mazzaro, 1998).

Entretanto, o maior problema a ser enfrentado por essas crianças constitui-se na agressão social. Essas crianças farão parte de um modelo familiar que foge ao padrão de 'normalidade' e poderão servir de alvo para piadas e brincadeiras desagradáveis por parte daqueles que se consideram “normais”.

As uniões heterossexuais que evoluem para a paternidade são exemplos clássicos. Elas cumprem duas regras da masculinidade. O homem atinge um patamar em que seu potencial viril não poderá ser questionado. Caso seja questionado, ele apresenta provas concretas de sua eficiência masculina: a mulher e o filho, fruto dessa relação.

Ao assumir uma maneira de ser e de viver diferente da que realmente deseja, esse homem passa a viver esse desejo na clandestinidade. Ele irá satisfazer suas fantasias e desejos sexuais carregados por um complexo de culpa e traição, envoltos em um mundo de mistério que jamais deve ser revelado a sociedade machista. Essa revelação acarretaria na segregação e os filhos teriam de enfrentar a realidade de que "papai é gay".

Viver fora deste padrão exigido pela sociedade é uma decisão muito difícil. É uma opção que vai exigir muita determinação e coragem já que toda “quebra” traz como conseqüência punições que vêm sob a forma de preconceito, segregação e da marginalidade de todas as pessoas que assim ousam viver suas vidas.

Assumir a homossexualidade nesse universo machista e conservador é percorrer um caminho de muitas pedras e barreiras. Obstáculos que só serão superados a partir de muitas lutas, posicionamentos e reivindicações pela busca de uma cidadania plena em que a orientação sexual não seja motivo de segregação dentro do processo da dinâmica familiar e social.

Conheça a opinião de um pai homossexual e sua filha biológica. Nesse caso, não houve conflitos. Os nomes foram omitidos para preservar a identidade dos envolvidos.

Pai:

1)    Quando você casou já estava clara sua orientação sexual? Por que casou? Comente um pouco sobre isso.

Não tinha a menor idéia. Sempre fui absolutamente heterossexual, sem nenhum
interesse por homens. Acho que aconteceu em um momento de solidão. Hoje continuo a me relacionar com mulheres ou com homens sem nenhum problema. Não acredito muito em "rótulos”;  acho que amor e sexo acontecem baseados  na
química, cheiro e toque, a que chamamos de tesão. Sei lá, tentei entender,
quando aconteceu, mas desisti ao verificar que sou feliz como eu sou....

2)    Houve um fator decisivo que fez com que você revelasse ao (s) seu (s)
filho(s) sua homossexualidade?

A decisão de morar com um homem e não querer que meus filhos soubessem disso como uma "fofoca" de pessoas alheias ao meio familiar fez com que eu contasse a eles.


3) Em algum momento teve receio de que eles poderiam não entendê-lo?

Interessante é que esta idéia nunca me cruzou a cabeça; sempre tivemos uma
relação aberta, pelo menos é o que penso, e achei que eles me aceitavam pelo
o que eu era para eles e não pela minha eventual opção sexual....

4) Como é sua relação hoje com seu (s) filho (s)? O que mudou? E com sua
ex-esposa?

Do meu ponto de vista,  a relação é franca, carinhosa, amigável e, acima de tudo, aberta, sem segredos. Minha ex-esposa, aparentemente, não ficou perturbada. Foi interessante o comentário dela sobre isso. Ela disse:
"prefiro que seja com um homem do que com outra mulher"....

5) O que você gostaria de dizer para pais homossexuais que ainda não se
"assumiram" e ainda não contaram para os filhos?

Claro que existem graus de situações baseados nas idades dos filhos e na
relação com as mães. Eu tive a sorte de ter filhos já crescidos e uma relação saudável com a mãe deles, mas criem coragem. Se os filhos respeitam e amam os pais, seguramente, saberão entender o que acontece. Ninguém consegue ser feliz numa vida dupla e "camuflada".

7) O que você diria para filhos de pais gays?

Amem e respeitem seu pais da mesma maneira que são amados e respeitados por
eles. A vida é feita de equilíbrio e reciprocidade.

Filha:

1)    Quando e como o seu pai contou que era gay?
Eu e meus irmãos já havíamos desconfiado, porém nunca comentamos nada.  Meu pai morava em Bali e resolveu voltar para o Brasil. Ele e o namorado resolveram morar juntos e para formalizar a união fizeram um almoço para a família (pais, filhos, ex-mulher), isso foi em 2001.

2) Sua relação com ele mudou, se mudou, em que mudou?
Mudou e muito!!! Para melhor com certeza. Ficamos mais amigos e com mais liberdade de conversar sobre qualquer assunto, inclusive sobre o relacionamento dele.

3) Você conta para as pessoas, amigos, relacionamentos sobre o seu pai? Como conta?
A maioria dos meus amigos, que são realmente do meu convívio diário, sabem sobre o meu pai. Não costumo comentar à toa com as pessoas, mas se surge um assunto referente a gays acabo comentando Para mim isso é totalmente normal!!!
4) O que você sente com relação a esse assunto?
Para mim é absolutamente normal. Meus pais são separados há 30 anos. Eu tinha três meses quando se separaram. Cresci sem a presença dele. Se eles tivessem se separado por causa disso, talvez eu pudesse ter algum receio, mas como tudo isso aconteceu muito tempo depois, realmente não me afetou em nada.

5) O
que você diria para os “pais gays”?
Que cada um escolhe a sua maneira de ser feliz...compartilhe da sua felicidade com as pessoas que você ama..

6) O que você diria para filhos de pais gays?
Não importa a opção sexual de seu pai; ele vai sempre continuar sendo seu pai e te amando e querendo sempre o melhor para você. A opção sexual não interfere em nada!!!

(*) Kátia Horpaczky
Psicóloga clinica, Sexualidade e Terapia de Casal
Kátia@rodadavida.com.br


Klebber e Zé em ação na pele dos amantes Leonardo e Cláudio (Foto: Império/TV Globo)